Cuidado! Há aqui crianças
Belém 2006, em pleno mês de Maio, dou por mim sentado num banco de jardim ao fim da tarde, enquanto esperava por companhia para jantar. Se tudo correr bem aguarda-me um caril de gambas decorado com algo que infelizmente, não me lembro o que é. Tenho a certeza de que me vou lembrar assim que passar pelos meus lábios em direcção à cavidade bocal.
Enquanto isso sentei-me ao pé de um parque infantil, e se há pessoas que gostam muito de crianças, desde já vos digo, aquilo é gente que não interessa a ninguém meus amigos. Se há coisa que as crianças fazem bem é berrar. Já contabilizei até aqui 32 berros e mais uns 17 que, com toda a certeza, se candidatariam a um honroso lugar de... vamos lá... dama de honor. Sim, porque isto de ser dama de honor é sempre aquela posição em que não se perde, mas também não se adquiriu a beleza necessária para ganhar. Quanto muito seriam berros dignos de Miss Simpatia mas, e isto sou eu, se berrar muito não me consideram propriamente Simpático.
Reparei também que os berros soam em tonalidades bem diferentes. Uns são berros curtos, emotivos e cheios de vontade de ecoar uns bons metros como quem diz: Estou aqui e quero que me ouçam! Mas raramente conseguem. Outros são dotados de tal histerismo que me leva a crer que os pais fizeram tuning nos filhos. Pai que se preze tem um filho com goela larga, cordas vocais desportivas com pelo menos 5 entradas de ar e, se possível, neons azuis no nariz e na sola dos sapatos.
Felizmente que a minha companhia já se vislumbra no horizonte e posso assim retomar o meu pensamento no caril de gambas, longe de qualquer criança de goela artilhada.


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