D de Duarte

Finalmente entrei no mundo dos Blogtrotters! Vou tentar expôr aqui os meus pensamentos mais profundos, sarcásticos, banais ou até mesmo fofinhos, sobre tudo o que se passa por aí e que a todos nós faz pensar. Ou então não...

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10 de novembro de 2008

12 - O Divinal conto de Natal

"Fazia frio e quase que nevava, não fosse este conto ser escrito numa cidade que fica a escassos 4300 kms da linha do Equador. Bernardo saia de mais uma loja, desta vez carregado de camisas Lacoste, em direcção ao BMW oferecido pelo pai, que tinha deixado estacionado perto de um candeeiro para a luz poder reflectir na imaculada pintura metalizada. Abriu a porta e um coro de anjos fez-se ouvir naquele momento.
- Está giro! – Pensou ele ao entrar no carro.
Colocou os sacos no banco do lado e reparou que tinha deixado o rádio ligado, dois cliques no arranque e nada.
- Diacho, querem lá ver que o carro agora não pega...
Bernardo poderia ter abraçado a emocionante carreira de vidente, mas acabou por ir tirar o curso de advogado, como o seu pai. Este acenara-lhe com as chaves dum carro novo e Bernardo não teve hipótese, acabava assim um sonho de criança.
A única coisa que sabia de mecânica era que é uma profissão da qual nada queria saber, por isso tentou mais umas rotações de chave. Nada.
Saiu do carro e olhou para o céu estrelado. Na direcção de sua casa uma estrela brilhava e disse para si:
- O que ficava agora aqui bem era um milagrezito.
Olhou à sua volta e nada se passava. A única pessoa decente para lhe empurrar o carro era um velho vagabundo de ar enfezado deitado num banco. Mesmo assim decidiu dirigir-se até ele para lhe pedir ajuda.
- Desculpe, o senhor aí... podia dar-me uma mãozinha que já estou atrasado para o jantar?
- Claro meu jovem, mas que poderás dar-me tu em troca?
Bernardo ainda pensava no milagre e tinha esperança que este ancião se transformasse no Messias, mandasse duas ou três bojardas em hebraico e lhe pusesse o carro a trabalhar.
- Posso dar-lhe uma das minhas belas camisas de marca. O que acha?
O vagabundo aceitou, vestiu-a e rapidamente desapareceu por uma ruela como que se flutuasse ao som de um coro de anjos. Bernardo ainda tinha o rádio ligado.
Tentou seguir o velho enfezado com a camisa Lacoste, mas tropeçou no passeio e bateu com o queixo na calçada. Uma mancha de sangue vermelho Ferrari começava a formar-se a seu lado, onde se podia ver reflectida uma estrela.
Era Natal!"