D de Duarte

Finalmente entrei no mundo dos Blogtrotters! Vou tentar expôr aqui os meus pensamentos mais profundos, sarcásticos, banais ou até mesmo fofinhos, sobre tudo o que se passa por aí e que a todos nós faz pensar. Ou então não...

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28 de novembro de 2008

24 - Vote que nós tratamos-lhe da saúde

"Rússia… 2007… fazia frio e nem apetecia sair de casa… eleições… festa grossa e muita animação… É verdade, não era o frio que ia prender o belo do folião russo em casa, sem se dirigir à calorosa mesa de voto neste domingo.
As sondagens apontavam para uma afluência às urnas de cerca de 60% dos inscritos, mas ao que parece foi superior e passo a explicar porquê.
No sul da Sibéria, mais propriamente em Barnaul, os eleitores puderam provar gratuitamente queijo nas mesas de voto, e em Kemerovo, no centro da mesma região, também sem pagar um tostão, puderam cortar e pentear o cabelo, encomendar uma saia a costureiros profissionais ou cantar karaoke. Mas a loucura não ficava por aqui, podiam ainda consultar médicos terapeutas, ginecologistas e urologistas, assim como fazer radiografias, electrocardiogramas, mamografias e análises de sangue.
Mas melhor ainda, em várias regiões da Rússia, as autoridades realizaram lotarias entre os eleitores, podendo estes ganhar valiosos prémios como computadores, frigoríficos, máquinas de lavar e, imagine-se, um apartamento.
Ora eu que até gosto de vodka, faço aqui um apelo aos senhores que organizam eleições cá em Portugal, por favor soltem o russo que há dentro de vós e surpreendam-nos no próximo dever cívico. O que eu dava para à entrada, enquanto esperava pela vez, fazer umas radiografias a cantar no karaoke. Quando chegasse à mesa de voto, tinha um copinho de tintol e uma sande de coirato à minha espera, e já agora incluíam uma raspadinha no boletim de voto para ver se ganhava um automóvel. À saída cortava o cabelo, fazia um exame à próstata e encomendava uma saia à Fátima Lopes. Isto é ou não é o sonho de qualquer eleitor? Acabava por ser bem mais interessante ir votar do que ver o Preço Certo em Euros, podiam até pôr o Fernando Mendes a entregar os boletins de voto e os prémios das raspadinhas. Tínhamos então em belo festim, e eleger um partido político ganhava toda uma outra dinâmica.
Com as eleições Legislativas, Europeias e Autárquicas a acontecerem no mesmo ano, estou já a marcar as minhas férias para 2009. Portanto Exmo. Sr. Dr. Eng. José Sócrates, veja lá o que pode fazer pelos seus queridos eleitores que tantas alegrias lhe deram."

27 de novembro de 2008

23 - Vamos salvar o sabonete

"Vamos! É que se há símbolo que represente a cultura Portuguesa é o sabonete, portanto gostaria de alertar para o facto do seu progressivo desaparecimento das nossas salas de reflexão, a que carinhosamente chamamos de casa de banho. Para isso e para o facto de ir repetir umas doze vezes, ao longo destas linhas, a palavra sabonete.
Na nossa cultura o sabonete está no mesmo patamar assim, vamos lá, de um galo de Barcelos, um cozido à Portuguesa, um coirato ou uma fuga aos impostos. O próprio Feno de Portugal já merecia uma estátua. Isto para não falar do mítico sabão azul e branco, esse devia ter nome de avenida.
Mas o facto aqui é que o sabonete está lentamente a dar lugar ao sabonete líquido e porquê? Para ter na mão um líquido viscoso com cheiro a mel e amêndoas que nem conseguimos agarrar como deve ser? É uma perfeita injustiça e qualquer dia vamos ser obrigados a contratar um Noé para construir uma arca onde vamos arrumar todos os sabonetes para evitar a extinção. Sim, eu sei que alguns de vocês já os guardam religiosamente em gavetas ao pé de um par de meias e de algumas cuecas, como se fossem pequenos bunkers para evitar o holocausto, mas não é o suficiente, os sabonetes continuam a desaparecer.
Já pensaram no mal que isto pode trazer à nossa sociedade? Vejamos, perfeitamente ao acaso, as prisões. Um sabonete deitado ao chão durante o banho era razão suficiente para envergonhar o meliante mais viril, era agarrado com todo o amor e carinho, uma rapidinha e não diga que não vai daqui. No entanto um sabonete líquido já torna tudo mais difícil, pois nem se dão ao trabalho de o apanhar já que há mais no frasco. De qualquer forma todos nós sabemos que existem sempre uns detidos que são um bocado picolhos e que mesmo assim decidem apanhar o sabonetizinho líquido para não gastar mais do frasquinho, ora isto faz com que na hora do banho seja feito o amor durante horas, já que dá muito mais trabalho apanhar todo um sabonete líquido do que apenas um sabonete.
Portanto lanço aqui o apelo, vamos salvar o sabonete!
E para vocês queridos leitores que ainda se mantém aqui a ler esta crónica, fiquem sabendo que esta é a última linha."

26 de novembro de 2008

22 - Uma lei é boa, duas são melhores

"A grande medida deste ano de acabar com fuminho nos locais fechados arrancou de mim três vivas, duas vénias e um gás. Na verdade não caibo em mim de contente quando entro num restaurante e, em vez de inalar nicotina, sou perfumado com um misterioso cheiro a peixe frito num óleo com quinze dias. Poderão estar a perguntar a que raio de restaurantes é que eu vou, mas aviso já que não vou revelar. Outro facto que me agrada imenso é o bafo das pessoas à minha volta já não ser de tabaco, mas sim de um bom vinho tinto alentejano que é muito mais típico.
A minha única preocupação é que ao tentar entrar num destes novos locais de ar perfeitamente respirável tenho que ser confrontado com um magote de gente a barrar-me a entrada, já que estão todos a fumar cá fora, quer chova ou esteja frio e já a atirar para a perfeita loucura, mesmo que chova e faça frio. Admiro no entanto a perseverança desta gente ao preferir enfrentar uma intempérie a deixar-se estar calmamente num local de ambiente ameno e perfeitamente controlado a nível de partículas. Lá dentro não porque não posso fumar, deixa-me ir lá para fora respirar nicotina e monóxido de carbono que eu é que sei o que me faz bem.
Mas se a proibição do tabaco já está feita, que tal começarem a pensar noutras leis que também davam cá um jeitaço, hein? Por exemplo, estou-me aqui a lembrar que seria bem agradável criar uma lei que proibisse as pessoas com bigode comer caldo verde, é extremamente agressivo olhar para um homem que acabou de o fazer e nos aparece com serpentinas verdes na pelugem, já para não falar de uma mulher. Outra lei poderia ser a proibição de sorrir depois de comer brócolos, chateia-me um bocado olhar para uma pessoa e ver uma árvore nos dentes, amigo do ambiente tudo bem, é certo que onde há uma árvore há sempre um amigo, mas não exageremos.
Para finalizar deixo aqui uma ideia que me parece ser bem inovadora. Podia existir nos restaurantes uma zona de tratamentos para estes problemas, onde um mestre em acupunctura chinesa fazia o seu trabalhinho com arroz agulha. Enquanto isso o senhor fumador ia saboreando um belo naco na pedra para o fumo lhe dar a ilusão de estar a fumar. É ou não é uma ideia bem catita?"

25 de novembro de 2008

21 - Um condutor, um amigo

"O que é bom é para se ver, e qualquer bom português que se preze gosta de ver um bom acidente. Onde houver chapa amolgada e vidros partidos é certo que vamos encontrar o belo do aglomerado humano à espera de ver mais um bonito espectáculo.
Eu bem vejo as longas filas de espera nas estradas, condutores impacientes por chegar ao local e poderem comprovar o que já vêm a discutir à 2 horas, a velocidade do impacto, o ângulo de aproximação e a beleza de umas marcas de pneus deixadas no asfalto daquelas que fazem qualquer Picasso corar de inveja, porque isto para se ter um acidente é preciso arte.
Enquanto não chegam ao desejado ponto de colisão a dúvida mantém-se sempre, terá sido um acidente? Como é bonito ver-lhes o brilho nos olhos enquanto esboçam um leve sorriso e recordam acidentes passados que tantas alegrias lhes deram, chega a ser ternurento.
Os desastres são tão importantes na vida de um condutor que alguns chegam a acelerar e serpentear pelo trânsito só para dar o prazer aos outros condutores de assistirem a mais um agradável acidente. Para estes mando um abraço especial por pensarem no divertimento e quebra de rotina de tantas pessoas que conduzem nas estradas. Muitos deles chegam mesmo a fazer gestos obscenos a quem, como eu, cumpre as regras de trânsito e nunca passa os limites de velocidade.
E quem nunca passou por um sinal a indicar Zona de Acidentes? Eu sempre que passo por uma zona destas sinto-me tentado a acelerar, puxar o travão de mão e fazer uns quantos peões só para descontrair e proporcionar um momento agradável a outros condutores. Desde já o meu muito obrigado às autoridades competentes por terem criado estas zonas onde todos podemos ter o nosso acidentezinho em segurança e sem sermos incomodados."

24 de novembro de 2008

20 - Um amendoim para Domingues Azevedo

"Foi na cidade de Lisboa que encontrei belos espécimes a vaguear as ruas em busca de alimentos nos caixotes do lixo para assim contribuir para a chamada reciclagem. Ao perguntar-lhes qual o tipo de alimentos que mais consumiam a resposta era unânime… amendoins, chegando ainda a afirmar “Se o Presidente da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas os prefere a não comer nada, então nós fazemos o mesmo”.
É verdade, foi numa recente entrevista de Domingues Azevedo ao Jornal de Notícias que tivemos o prazer de ser acariciados com algumas destas pérolas disparadas ao acaso por este senhor.
Fiquei rendido praticamente no início quando afirma, sobre a perda de humanização de contribuintes, nomeadamente os deficientes, que o sistema beneficiava quem tinha mais rendimentos, ou seja, beneficiava de forma diferente duas pessoas com deficiência igual. E eu aqui senti pena deste senhor, que coitado, ao ganhar valores acima da média fez com que contraísse este terrível flagelo e ainda por cima vai ter que pagar mais. E agora como vai ele sobreviver aos constantes aumentos do nível de vida?
Mas não pensem que Domingues Azevedo se fica. Ele que anteriormente tinha lançado para o ar “Ah e tal, era importante que a administração fiscal criasse um clima de medo”, acha agora que já estão a cair no exagero. E senhores da Administração Fiscal, tenham cuidado que se continuam assim ainda recebem uma visita dos 719.664 associados da Câmara que não exercem a profissão, e vos dão umas valentes palmadas. Mas apenas estes, já que os restantes 32.000 que realmente trabalham, estão ocupados a seguir a carreira de delatores de quem faz a sua fraudezinha.
E deve ter sido devido a estas visitas incomodativas, que a CTOC não passou de Câmara a Ordem. Numa amena cavaqueira com um representante da Assembleia da República, que não vamos divulgar o nome para sua segurança, acabou por lhe escapar “Meu amigo, nós não temos gente suficiente para os pôr na ordem. Eles são mais que nós. Ainda ontem trazia o dinheiro contadinho para um café, aparecem dois TOCs, um deles dá-me um rotativo na traqueia e ficam-me com o dinheiro… isto só pode ser obra do Sr. Azevedo…”
Com o resultado das eleições da Câmara ainda fresquinhos, podemos concluir que, em vez de escolherem alguém que tenha dinheiro para o café, os TOCs optaram por alguém que se alimenta de amendoins como os elefantes."

21 de novembro de 2008

19 - Sonhos e outros docinhos

"Parece que há uma altura na vida em que somos jovens e temos sonhos, muitas vezes corremos atrás deles e nunca os conseguimos apanhar. Quem é que nunca chegou a uma pastelaria, pediu meia dúzia de sonhos e eles se puseram a andar? Aquilo é coisa para correr como se não houvesse amanhã e desaparecer num beco qualquer.
Houve uma altura da minha vida muito difícil em que sonhava vir a ser astronauta. Chegava a ter pesadelos por isso e acordava sempre todo transpirado. Depois entrei para a escola primária e as coisas melhoraram. Ainda sonhei em ser piloto de Fórmula 1, mas é uma actividade onde só alguns conseguem lá entrar, ao contrário da Paris Hilton.
E quem nunca quis ser bombeiro? Eu, por exemplo, nunca quis. Isto de nos andarmos a esfregar no varão e agarrado às mangueiras nunca foi algo que me aliciasse.
Pois é, realizar sonhos não é fácil. Ainda há pouco tempo parti os meus óculos de sol e passei dias horríveis sem a minha protecção ocular de elevado estilo. Pensei que podia ir à Multiópticas para ter direito ao desconto conforme a idade e sonhei… como seria óptimo ter um avançado estado de deterioração corporal assim ao género de, vá lá, Manoel de Oliveira com mais dois anos em cima, poder escolher uns óculos e ainda sair de lá com uns trocos no bolso. Desde já um grande abraço a este senhor pelos seus 99 anos e 4 meses. Cada dia que passa é um dia a menos para se fornecer de óculos até ao fim da vida, sem pagar nada. É ou não é interessante Sr. Manoel?
Existem ainda outros sonhos que quando pensamos que estão vai-não-vai para serem realizados, tungas… voltamos à estaca zero, e isto perturba-me. Poderá isto ser um problema de nomenclatura? Se calhar em vez de realizar sonhos deveríamos estar a realizar cuscurões ou palmiers recheados. Tenho um palmier recheado que é ser rico, ou o meu bolo de arroz é tirar umas férias na China. Talvez assim não seja tão complicado.
Mas agora que já leram isto e perceberam que perderam o vosso tempo a ler algo sem sentido nenhum, espero que não fiquem muito chateados porque isto de escrever estas crónicas para vocês é uma bola de berlim que eu tinha e se tornou realidade.
Um grande bem-haja."

20 de novembro de 2008

18 - Ser sportinguista

"Como o caro leitor(a) já deve ter tido oportunidade de reparar, eu sou uma pessoa que se preocupa e, consequentemente, escreve sobre os grandes problemas que afligem a comunidade internacional. Sobre a mesa estão sempre temas como a fome, a guerra, as cores dos cotonetes e se o Sporting vai ser campeão.
É do conhecimento de alguns de vocês que desde pequenino nutro uma enorme admiração por esse enorme clube que veste de verde e branco, não apenas por ser o melhor clube do mundo, mas também por marcar os golos mais fantásticos. Ainda este fim-de-semana festejei três, dois do Sporting e um do Belenenses... quase ficava rouco. Foi uma alegria para todos os verdadeiros adeptos sportinguistas.
Há por aí uns fanáticos de outros clubes, como aquele que começa por B e acaba em A, e que no meio tem aleatoriamente as letras ENFIC, que acham que vão ser campeões... fraquinhos, só podem ser meio amaricados e não é apenas pelo facto de no seu clube um dos equipamentos ser cor de rosinha e de só usarem os cotonetes da mesma cor. Eu não acho que o Sporting vá ser campeão, eu tenho a certeza, e se vierem cá com coisas de “ah e tal, mas já é matematicamente impossível...” ah é? Então e poeticamente? Por que raio não há-de o Sporting ser campeão se tem os melhores jogadores e o estádio mais bonito? Sempre que passo por lá faço uma vénia e sinto imediatamente uma vontade de declamar uma ou duas odes de fino recorte. Coisa que não acontece ao passar num outro estádio que ainda está por pintar, aí os únicos versos que consigo declamar acabam sempre por rimar com ensopado de truta e bacalhau com alho, o que é extremamente aborrecido porque eu até nem gosto assim tanto de ensopado.
Cada vez que ouço um adepto inimigo falar mal do Sporting dá-me pena... pena de não ter ido mais vezes ao ginásio para o poder desancar logo ali.
Mas a saudável discussão futebolística que percorre todos os cafés e tascas de Portugal, após os jogos, não serve apenas para concluir que o Sporting é o melhor clube do mundo, é também um bom método para quem gosta de sair sem pagar. Portanto, e como eu também gosto que estas crónicas tenham alguma utilidade pública, sr. assaltante que neste momento está a ler estas linhas fique sabendo que se algum dia tiver fome e não houver dinheiro para pagar a conta, basta evocar o tema futebol para provocar a discussão ambiente e poderá sair normalmente do café sem, imagine, ter que correr como é habitual.
Viva o Sporting!"

19 de novembro de 2008

17 - Prova soprada

"Se há coisa que me chateia é ver pessoas com um sonho e algum tempo depois alguém lhes passa a perna e acaba com ele, ficando elas com os louros da sua realização. É extremamente aborrecido, até porque anda uma pessoa durante semanas a perseguir um objectivo para depois chegar outra, numa de mete nojo, e acaba com tudo. E depois? Lá se vão os objectivos de uma vida.
Por isso estou do lado dos manifestantes anti China. Então não é que andam estes senhores a faltar aos empregos, arriscando-se a serem despedidos, para ver se conseguem apagar a tocha olímpica com extintores, mangueiras, super sopros e vêm as autoridades francesas e apagam aquilo. Ainda por cima escondem o archote apagado num autocarro é põe-se a andar. Mas que raio vem a ser isto? O sonho do manifestante era apagar a chama. Agora o que vão eles fazer? Voltar à sua vida miserável e pouco interessante, acender velas e fósforos para os apagar depois? Isto não se faz. É ter mau feitio.
Por isso proponho que seja feita uma rápida importação destes apagadores profissionais de tochas olímpicas para nos ajudar no combate aos incêndios em Portugal. A época da queima de zona verde está aí a rebentar e vamos precisar da ajuda destes sopradores destemidos. Já que nestas alturas as únicas coisas que mudam são as áreas ardidas e a marca dos helicópteros, seria como uma lufada de ar fresco nas notícias de verão.
“Um incêndio que lavrava perto de Castelo Branco foi esta manhã completamente extinto por 500 sopradores de tocha olímpica, que se dirigiram para a zona afectada e debitaram valentes sopradelas. Um dos apagadores teve de ser substituído no decorrer da operação devido a um problema de flatulência, que fez com que a potência de sopro fosse diminuída visto o ar ser expelido em várias direcções, pondo assim em perigo os restantes. Neste momento estão a soprar uns nos outros para minimizar os danos de algumas queimaduras de primeiro e segundo grau”.
Já que a limpeza das florestas nunca é feita por ser algo transcendente, vamos lá pensar nestas hipóteses bem mais reais."

18 de novembro de 2008

16 - Previsões

"O Eng. José Sócrates, a.k.a. Primeiro Ministro, recebeu ontem na sua residência oficial os votos de Feliz Ano Novo, leitão, espumante e doces tradicionais, por parte do Grupo Típico Cancioneiro de Águeda.
Depois de ouvir as belas quadras do Dia de Reis, afirmou que tinha todos os motivos para acreditar que o ano de 2008 vai ser melhor que o de 2007, no entanto não deu qualquer dica sobre que motivos são esses, nem qual a sua origem.
É de enaltecer que o Eng. Sócrates saiba mais que qualquer comum mortal, e mesmo assim esteja disposto a partilhar connosco esta sabedoria. Não se percebe por que razão, até agora, ainda não lhe foi erigida uma estátua comemorativa. O nosso Primeiro Ministro já merecia um miminho.
No entanto tenho duas teorias sobre a sua fonte de informações:
Teoria 1 – O oráculo
José Sócrates acorda de manhã na sua residência oficial por volta das oito horas, como não quer desperdiçar o dia, num ápice toma o seu banho oficial e veste a sua roupa oficial. Às onze e meia já está sentado na sua cozinha oficial a tomar o seu pequeno almoço oficial quando abre o Dica da Semana, apercebesse que já está em 2008, consulta o Oráculo de Belline de Miguel de Sousa e descobre os motivos para que este ano seja melhor que 2007. Tocam à porta oficial, são as Janeiras e tomem lá que 2008 vai ser melhor só para os calar.
Teoria 2 – O bafo
José Sócrates acorda de manhã na sua residência oficial por volta das oito horas, como não quer desperdiçar o dia, num ápice toma o seu banho oficial e veste a sua roupa oficial. Às onze e meia já está sentado na sua cozinha oficial a tomar o seu pequeno almoço oficial quando tocam à porta oficial. Vai ver e é acariciado por várias vozes a cantar as Janeiras que, devido ao frio da manhã, já tinham conseguido abafar quantidades generosas de espumante. O Zé Sócrates apanha com o bafo, começa a ver tudo a andar à roda, desmaia, bate com a cabeça no chão oficial e tem uma visão oficial. Descobre que 2008 vai ser melhor que 2007, mas quando está prestes a descobrir o porquê leva com um balde de água na cara oficial.
Mas o verdadeiro problema que aqui me aflige de uma maneira transcendental, e de certo que também aflige o caro leitor, é como foi o Grupo Típico Cancioneiro de Águeda cometer o erro de oferecer espumante ao nosso Primeiro, em vez da bela da garrafita de Perrier Jouet Belle Epoque? É que todos nós sabemos que aquilo é menino que só bebe de Champomy para cima.
Tenho motivos para acreditar que 2008 não vai ser um bom ano para Águeda, mas não vou revelar quais são."

17 de novembro de 2008

15 - Olhó peixinho lindo

"A pior altura da semana é o domingo à noite, é nesse momento que começamos a perceber que o fim-de-semana está a acabar e que vem aí a segunda-feira. Eu sei que para todos vocês que lêem estas fantásticas linhas de utilidade pública, majestosamente escritas por este vosso escriba, a segunda passou a ser um dia de culto, mas para os restantes mortais que ainda vivem na ignorância continua a ser o dia em que recomeça o trabalho.
Não sei se os caros leitores já repararam, mas isto de trabalhar cansa. E uma pessoa como eu, que até é activa, por vezes pode sentir a necessidade de se apoiar em suplementos para estimular a actividade cerebral. Ora como eu sou uma pessoa que até gosta de ler, posso garantir-vos que não há nada mais doloroso e desagradável que ler a literatura dentro das caixas dos medicamentos.
Se por acaso forem curiosos como eu, e se dirigirem a uma loja da especialidade, podem reparar que um dos ingredientes deste cocktail cerebral é sémen de peixe. Tudo bem que nós podemos pensar que o Pinto da Costa é uma pessoa que sim senhor, mas depois tomamos um comprimido destes e aquilo passa, agora… sémen de peixe? Que técnica inovadora é usada para a colheita deste composto? Ou aquilo nos oceanos vai ali festa da grossa ou há senhores ao pé dos aquários a mostrarem revistas da Playfish com pescadas todas nuas.
O mais incrível é que ninguém nos avisa para os possíveis perigos a que estamos sujeitos quando tomamos estes medicamentos. Imaginem que eu tinha acabado de almoçar umas ovas e logo a seguir toma lá sémen de peixe que é bom para o cérebro, confesso que não me agrada nada a ideia de fazer criação de douradas no estômago.
Por isso repugna-me um bocado ter que engolir sémen de peixe. Um dia arrisco-me a ir a uma loja de animais, passar pelos aquários e ver dois barbos a olhar para mim a rir e perguntar: - Quanto é que levas? Obviamente que fico triste com isto, até porque os barbos não fazem o meu género. Aquilo são peixes que, muito bem, gostam de passar um bom bocado, mas depois nem um telefonema, nem uma carta. Uma pessoa fica sentida."

13 de novembro de 2008

14 - O século da pândega

"Sexo, sexo e mais sexo!! Pronto, agora que chamei a atenção dos estimados leitores gostaria que se juntassem a mim num singelo pedido aos cientistas de todo o Portugal em geral, e do mundo em particular.
Penso que não será nada de mais pedir para se despacharem lá com isso de descobrir o elixir da juventude. Quero viver até 2980, apetece-me viver dez séculos e estou particularmente curioso pelo período de 2900 a 2999. Tudo bem que foi interessante nascer no século XX, muito giro e libertador, havia a Abelha Maia e o Vickie a levantar a vela, mas só de imaginar como será no século XXX fico logo com os pelinhos do peito a fazerem a onda.
Senão vejamos, se hoje for à Internet e procurar por XXX sou levado para um mundo de algum cariz educativo, vou estar frente a frente com aqueles sites que inibem os menores de 18 anos à sua visita. E como é que isso é feito? Simples, só temos que responder se temos mais ou menos de 18 anos e obviamente que um petiz de 16 anos não vai mentir às senhoras do site a dizer que tem outra idade só para dar uma olhadela na sua impressionante prateleira. Sendo assim o que resta a estas pobres crianças? Ver o site da Luciana Abreu, a Floribela mais conhecida de Portugal. E aqui sim, os pequenitos já não precisam de mentir. Logo ao entrar levam com as fotos e com o novo robusto airbag da menina, para deleite da criançada.
Mas se tudo isto se passasse no século XXX seria perfeitamente banal. Todas as mulheres envergariam uns potentes seios com mamilos capazes de vazar uma vista, e todos os homens seriam filhos do John Holmes. Provavelmente seria necessário mudar o tipo dos filmes de karaté alentejano de XXX para XYX por exemplo, fazia muito mais sentido. Até porque os romanos já não podem vir agora introduzir o Y na numeração, tivesses pensado nisso antes Júlio César…
Por isso, e apenas para completar a minha pesquisa, vamos lá tratar de descobrir esse elixir ó senhores da Ciência."

11 de novembro de 2008

13 - O quebra nozes romeno

"Se estão neste momento a fazer planos para as férias e existem fortes probabilidades de escolherem o Brasil, o Dubai ou a Trafaria, deixem-se disso. Umas férias divertidas são na Roménia, mais propriamente em Timisoara, a 3ª maior cidade.
Na Europa, foi a primeira cidade a ter candeeiros com luz eléctrica nas ruas em 1884, a segunda a ter eléctricos puxados por cavalos em 1867 e a primeira a dar aulas de ballet aos polícias em 2008.
Segundo as declarações do director da polícia de Timisoara, o objectivo é desenvolver uma habilidade para dirigir o trânsito e ter mais elegância nos movimentos, que é bem mais agradável para a vista, para assim ajudarem os motoristas presos nos engarrafamentos a lutar contra o stress e a tristeza.
Isto meus amigos é a polícia do futuro. Um grupo de ex-bailarinos da Ópera de Timisoara a dar aulas de ballet a polícias romenos e acabam-se os auto-stops enfadonhos e sem o mínimo toque artístico. O que eu dava para passar um sinal vermelho na Roménia e ver um polícia a aproximar-se do carro em pontas, de bracinhos no ar e a trautear o Lago dos Cisnes. Isso sim eram umas férias divertidas.
Pelo meu lado como não estou a pensar em ir já à Roménia, este fim-de-semana vou beber um pouco de álcool a mais e fazer-me à estrada. Com sorte mandam-me parar e quando se aproximar o senhor agente da autoridade em maillot…
- Boa noite senhor condutor.
- Boa noite senhor guarda. Vinha muito depressa era?
- Nada disso homem, gostava de felicitá-lo pois vinha ali a fazer uns esses e umas piruetas dignas de um Barishnikov. Até me vieram as lágrimas aos olhos.
- Ah, então não cometi nenhuma infracção?
- Esqueça lá isso, se me disser o nome de três bailados nem precisa de soprar o balão.
- A sério? Ora bolas, logo hoje que estava aqui com um sopro daqueles. Bem, deixe lá ver… Lago dos Cisnes, Quebra-Nozes e…
- E? Vá meu jovem, falta um.
- E Pássaro de Fogo.
- Muito bem, vejo que o senhor condutor sabe umas coisas de ballet.
- Não, o senhor guarda é que é um expert.
- É verdade e para lhe provar vou pôr aqui esta postura erecta e… veja-me este en dehors…
- Meu Deus senhor guarda, que simetria, que verticalidade corporal. Até parece que tem um Nureyev dentro de si.
- Não não, isto é da cerveja e dos donuts. Bem, mas vá lá à sua vida. Boa noite.
- Boa noite senhor guarda.
E lá foi o senhor agente da autoridade agarrado a um colega num pas de deux de vergar toda uma plateia."

10 de novembro de 2008

12 - O Divinal conto de Natal

"Fazia frio e quase que nevava, não fosse este conto ser escrito numa cidade que fica a escassos 4300 kms da linha do Equador. Bernardo saia de mais uma loja, desta vez carregado de camisas Lacoste, em direcção ao BMW oferecido pelo pai, que tinha deixado estacionado perto de um candeeiro para a luz poder reflectir na imaculada pintura metalizada. Abriu a porta e um coro de anjos fez-se ouvir naquele momento.
- Está giro! – Pensou ele ao entrar no carro.
Colocou os sacos no banco do lado e reparou que tinha deixado o rádio ligado, dois cliques no arranque e nada.
- Diacho, querem lá ver que o carro agora não pega...
Bernardo poderia ter abraçado a emocionante carreira de vidente, mas acabou por ir tirar o curso de advogado, como o seu pai. Este acenara-lhe com as chaves dum carro novo e Bernardo não teve hipótese, acabava assim um sonho de criança.
A única coisa que sabia de mecânica era que é uma profissão da qual nada queria saber, por isso tentou mais umas rotações de chave. Nada.
Saiu do carro e olhou para o céu estrelado. Na direcção de sua casa uma estrela brilhava e disse para si:
- O que ficava agora aqui bem era um milagrezito.
Olhou à sua volta e nada se passava. A única pessoa decente para lhe empurrar o carro era um velho vagabundo de ar enfezado deitado num banco. Mesmo assim decidiu dirigir-se até ele para lhe pedir ajuda.
- Desculpe, o senhor aí... podia dar-me uma mãozinha que já estou atrasado para o jantar?
- Claro meu jovem, mas que poderás dar-me tu em troca?
Bernardo ainda pensava no milagre e tinha esperança que este ancião se transformasse no Messias, mandasse duas ou três bojardas em hebraico e lhe pusesse o carro a trabalhar.
- Posso dar-lhe uma das minhas belas camisas de marca. O que acha?
O vagabundo aceitou, vestiu-a e rapidamente desapareceu por uma ruela como que se flutuasse ao som de um coro de anjos. Bernardo ainda tinha o rádio ligado.
Tentou seguir o velho enfezado com a camisa Lacoste, mas tropeçou no passeio e bateu com o queixo na calçada. Uma mancha de sangue vermelho Ferrari começava a formar-se a seu lado, onde se podia ver reflectida uma estrela.
Era Natal!"

7 de novembro de 2008

11 - O amor só tem uma cor: verde e branco

"Foi com enorme alegria que o meu córtex cerebral apreendeu que o estádio do grandioso Sporting Clube de Portugal não serve apenas para futebol e mega concertos. Como ficou provado no fim-de-semana passado também o belo do casamento pode ser realizado no fresquinho relvado de Alvalade.
Mas se o local foi perfeito para o acto matrimonial, já aos pormenores podiam ter tido mais atenção. Tenho pena que esta cerimónia não tenha sido orientada pelo Mister Paulo Bento, tudo bem que pode não ter uma formação em teologia, mas aquele cabelo não engana ninguém, aquilo é menino para ir sempre à diocese de Lisboa enfiar uma tigela na cabeça e cortar o que fica de fora. Outro erro grave foi não terem pedido ao pequenito João Moutinho para levar as alianças aos noivos. Qualquer criança sonha com isso e ele não merecia uma desfeita destas.
Claro que isto de se casar num estádio de futebol não são só maravilhas, é preciso andar bastante no relvado, subir e descer escadas e como o dia até estava quentinho a sede começava a apertar. Portanto logo a seguir à cerimónia, subiram todos ao terceiro andar para um copo de água no restaurante Casa XXI, com um cocktail frente à Tribuna Presidencial.
A partir daqui a porta está aberta para a celebração de baptizados, divórcios, funerais, jantaradas e com sorte até podemos organizar um campeonato de construções na areia.
De qualquer forma espero que a moda não pegue ou vamos ter casamentos todos os fins-de-semana, o desagradável em tudo isto é sermos obrigados a assistir aos jogos do Sporting na igreja mais próxima, e o sério risco do JC levar uma bolada daquelas de já não se poder ressuscitar uma segunda vez."

6 de novembro de 2008

10 - Lisboa cheia de desporto

"Pois é, eu sei, já estão aí a pensar que me esqueci da crónica desta segunda-feira não é? Não sejam assim. Não é nada disso. Tenho aproveitado os ensinamentos do que vi esta semana que passou na televisão, devo dizer que me sinto muito melhor e cheio de energia, mas eu passo a explicar.
A semana passada choveu que se fartou, tivemos direito a lindas cheias em Lisboa e tudo. Toda a gente ficou muito preocupada, mas não é bem assim. Eu gostei… vamos lá… foi comovente, ver pessoas no meio da água a praticar desporto. Umas a fazerem remo, óptimo para queimar umas gordorinhas a mais na barriga que, se formos a ver, até é um flagelo a que o bom português dificilmente consegue escapar. Outras estavam empenhadas numas aulas gratuitas de hidroginástica, ali no meio da água, para trás e para a frente, para cima e para baixo, e como se não bastasse iam com alegria buscar outras pessoas, pela mão, às casas para as trazerem para o meio da água, para também elas poderem desfrutar de um pouco de exercício ao ar livre e na água, que segundo ouvi dizer faz muito bem.
Portanto é bonito ver como certas e determinadas pessoas se preocupam com o bem-estar de outras, não olham para elas e dizem “Estás balofo” ou “Então? Andamos a tentar roubar o lugar ao Bibendum hein?”. Não, elas vão-nos buscar a casa e trazem-nos para onde é bom fazer exercício. E ainda dizem por aí que não nos preocupamos com o nosso corpo.
Confesso que aguardo pacientemente pelas próximas chuvadas com um sorriso nos lábios, e já estou a pensar ir ali para Loures fazer mergulho com uns amigos para descontrair antes de ir para mais uma aula de hidroginástica. E já nos estamos a mexer para, no próximo ano, organizarmos um campeonato de pólo aquático de rua em Setúbal. Vai ser bem jeitoso."

5 de novembro de 2008

9 - GPS ou taxista?

"Certamente que todos vocês já andaram de táxi e relembram com saudade aqueles minutos passados no banco de trás do carro a ouvir todo um vernáculo popular, muitas vezes direccionado ao futebol e aos condutores inimigos que não conduzem um táxi. Como era agradável entrar, sentar, indicar a morada e aguardar pela chegada ao destino enquanto íamos ouvindo uma cassete pirata de Tony Carreira… ahh… bons velhos tempos.
Mas quando se pensa que um condutor de táxi já vem equipado com o software Moradas Deluxe 7.2 ou que tem os neurónios ligados via satélite ao Google Earth, eis que me apercebo da nova tendência taxista, o uso do GPS. É toda uma teoria caída por terra, o mito do taxista que sabe mais de ruas e becos do que um neurologista de córtex cerebral está a mudar o mundo. Onde estão os taxistas que numa frase soltavam duas ou três obscenidades? Onde andam os taxistas que apanhavam os turistas no aeroporto e os levavam ao Rossio via Cascais? Onde?
Qualquer dia temos condutores de táxi metrossexuais, com bom aspecto, educados e honestos. A tradição já não é o que era. Se uma mulher nos últimos dias de gravidez entrar num destes novos táxis com o marido é bom que o senhor taxista tenha tirado o curso de parteiro, senão…
Futuro Pai: - TÁXIIIIIII!!!!
Futura Mãe: - AAAIIII QUE ESTÁ QUASE…
FP: - TÁXIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!
Taxista: - Ora boa tarde simpático casal.
FP: - Rápido entra… Era para a Maternidade Alfredo da Costa por favor.
T: - Pois sim, já estão bem acomodados? Ora bem, sabe em que rua fica a Maternidade?
FP: - Epá sei lá, é para a Maternidade, rápido.
T: - Mas assim como é que introduzo no GPS, preciso de uma morada…
FM: - RUA PEDRO NUNES… RÁPIDO QUE ESTÁ A NASCER…
T: - Portanto… localidade Lisboa… Rua… Pedro Nunes… sabe o número da porta?
FP: - Oh homem arranque, esqueça o número!
T: - Bem vou tentar sem número, mas assim é difícil prestar um bom serviço.
FM: - AAAAAII…
T: - E tem preferência pelo percurso mais rápido ou paisagístico?
FP: - Mas tenho que ir para aí eu conduzir?!?
T: - Pronto, pronto… aqui vamos… mantenha esse ritmo respiratório minha senhora.
FM: - ESTEJA CALADO E ACELERE!!!
E assim acaba mais uma crónica. A moral da história… o GPS pode não ser o culpado pelo aquecimento global, mas põe em risco o nascimento das crianças, e todos nós sabemos que a melhor coisa do mundo são as crianças… e a segunda melhor coisa do mundo é dar-lhes uns tabefes quando fazem birras e não se calam."

4 de novembro de 2008

8 - E Margarida teve uma visão

"Está um frio que não se aguenta. Já mudei o ar condicionado de modo siberiano para modo inferno. Olhei pela janela, bufei no vidro e fiz um círculo. Meu Deus, o verão acabou…
No campeonato sueco de suicídios inicia-se uma nova época e por cá alguns cérebros começam a congelar. Um deles parece ter sido o de Margarida Cordo, psicóloga e terapeuta familiar que dirige o Serviço de Reabilitação da Casa de Saúde do Telhal, que numa recente entrevista à revista Visão brindou-nos com esta iluminada conclusão: “A homossexualidade é um complexo, um transtorno da identidade sexual. É uma doença e tem recuperação”…
Cinco minutos depois… Pronto, eu acho que já consigo escrever sem me rir… é que… ou seja… portanto se… a última vez que olhei para um calendário pareceu-me ver 2007, será que a Dra. Cordo não tem os 46 anos que afirma ter, mas sim 146? Percebo que à cem anos atrás um homossexual chegasse ao consultório do seu médico de família, para lhe falar da sua doença, e este lhe passasse uma receita para ir à pharmácia comprar uns comprimidos à base feromonas masculinas, mas hoje? Em 2007?
No fundo é possível recuperar homossexuais, o que me leva a pensar que, ou andei enganado estes anos todos ou esta senhora é aquilo a que nós carinhosamente chamamos de… ora… de… parva, isso, e sei de fonte segura que já existe um xarope para esse tipo de doença de que padece Margarida, é um xarope fantástico contra a parvoíce que deve ser tomado todas as manhãs, não vá alguma outra revista ligar-lhe para mais uma entrevista e aparecer por aí falar dessas coisas do Pai Natal entrar nas chaminés, da homossexualidade ser uma doença ou de sereias nas praias de Sintra.
Provavelmente a Guidinha acordou durante a noite após ter uma visão, e não estou a falar da revista, e decidiu que as orientações sexuais de cada um são uma doença de que nos podemos livrar facilmente, umas injecções bem aplicadas e adeus homossexualismos, lesbianismos e outras pandemias que atormentam esta senhora.
Um grande bem-haja para Johannes Gutenberg, sem ele a Visão não publicava artigos deste calibre."

3 de novembro de 2008

7 - Domingo Deusportivo

"Se há coisa que não se vê todos os dias é um padre a fazer exercício físico, isto já para não falar de um abade que esse então só come, essencialmente toucinhos-do-céu. Um papa por exemplo, nunca o vimos a fazer um jogging matinal, trabalhar um bíceps, um abdominal ou mesmo afundar uma bola num cesto e ficar lá pendurado.
Mas isto do desporto e da igreja não andarem de mãos dadas tem os dias contados, pelo menos na Itália. E se o desporto faz de nós uns homenzinhos, faz dos padres uns rebeldes.
Ora vejamos, no campeonato de futebol do clero, a Clericus Cup, um padre futebolista foi expulso de um torneio entre igrejas por ter atirado a camisola ao árbitro. Foi um dia inesquecível para os jogadores amadores italianos, já que o presidente da equipa Doria, da segunda divisão, decidiu sair do campeonato por causa da raivosa decisão do árbitro, palavra do senhor… quero dizer, do senhor Franco de Rosa, ao qual acrescentou que estavam fartos de sofrer injustiças todos os domingos.
E é bem feito, segundo eu me lembro o domingo é dia do Senhor e estes padres rebeldes andam para aí a jogar futebol, a despir camisolas e a mostrar valentes panças, na volta até vociferam duas ou três blasfémias ao árbitro. E o Senhor não gosta disto, se gostasse tinha dito que os domingos eram os dias dos Jogos do Senhor e tinha organizado campeonatos de Cura do Ceguinho ou os 400 metros barreiras em cima da água. E nada de blasfémias, quando muito um jogador poderia dizer “Vai para o órgão sexual masculino ó árbitro do cocó” ou “Vai para a meretriz que te deu à luz”, mesmo assim era razão suficiente para passar o resto do dia na igreja a dizer Avés Marias e Pais Nossos.
Para quando o campeonato português? Já está na hora de assistirmos a uns presbíteros a correr atrás de um esférico. Ver o Anjos do Senhor Futebol Clube jogar contra o Hóstias Clube de Agunchos a dar-lhes uma abada era o final de tarde de domingo perfeito. Quem não ficava muito satisfeito era o marido dela, o abade."