24 - Vote que nós tratamos-lhe da saúde
As sondagens apontavam para uma afluência às urnas de cerca de 60% dos inscritos, mas ao que parece foi superior e passo a explicar porquê.
No sul da Sibéria, mais propriamente em Barnaul, os eleitores puderam provar gratuitamente queijo nas mesas de voto, e em Kemerovo, no centro da mesma região, também sem pagar um tostão, puderam cortar e pentear o cabelo, encomendar uma saia a costureiros profissionais ou cantar karaoke. Mas a loucura não ficava por aqui, podiam ainda consultar médicos terapeutas, ginecologistas e urologistas, assim como fazer radiografias, electrocardiogramas, mamografias e análises de sangue.
Mas melhor ainda, em várias regiões da Rússia, as autoridades realizaram lotarias entre os eleitores, podendo estes ganhar valiosos prémios como computadores, frigoríficos, máquinas de lavar e, imagine-se, um apartamento.
Ora eu que até gosto de vodka, faço aqui um apelo aos senhores que organizam eleições cá em Portugal, por favor soltem o russo que há dentro de vós e surpreendam-nos no próximo dever cívico. O que eu dava para à entrada, enquanto esperava pela vez, fazer umas radiografias a cantar no karaoke. Quando chegasse à mesa de voto, tinha um copinho de tintol e uma sande de coirato à minha espera, e já agora incluíam uma raspadinha no boletim de voto para ver se ganhava um automóvel. À saída cortava o cabelo, fazia um exame à próstata e encomendava uma saia à Fátima Lopes. Isto é ou não é o sonho de qualquer eleitor? Acabava por ser bem mais interessante ir votar do que ver o Preço Certo em Euros, podiam até pôr o Fernando Mendes a entregar os boletins de voto e os prémios das raspadinhas. Tínhamos então em belo festim, e eleger um partido político ganhava toda uma outra dinâmica.

